Jazigo da SCMP

 

As Santas Casas da Misericórdia têm por finalidade o cumprimento das quatorze obras da Misericórdia que, no fim de contas, abrangem diferentes formas de intervenção social (apoio material, cultural e moral), particularmente a quem se encontra com dificuldades ou na necessidade.

Sem esperar recompensa, é sua missão fazer o bem, socorrer os mais necessitados, provocar o debate que leve à busca das principais necessidades que ficam sem resposta e procurar as soluções mais adequadas para os graves problemas com que a sociedade se debate.

A 7a obra de misericórdia corporal, « Enterrar os mortos », defende que :

A Irmandade devia acompanhar todos os irmãos defuntos, indo com opas e círios acesos, rezando pela alma do falecido. Em Lisboa, durante séculos, a Irmandade tinha obrigação de acompanhar à sepultura os pobres que não tivessem quem cuidasse deles e muito especialmente se determinava que se desse sepultura às ossadas dos que tinham padecido por seus crimes. Sempre o enterramento dos mortos foi considerado pelas Irmandades como uma das principais obrigações que pertencem às Santas Casas da Misericórdia.

Na mais pura tradição das Misercórdias portuguesas, a de Paris, preocupa-se, desde a sua fundação, com a sepultura e exéquias condignas dos compatriotas que falecem abandonados, evitando que sejam enterrados, anonimamente, numa vala comum.

Nessa perspectiva, logo em 1995, no ano a seguir à sua fundação, foram estabelecidos contatos com algumas Câmaras Municipais da região Parisiense, a fim de procurar obter terreno num cemitério.

A Câmara Municipal de Enghien-les-Bains, em 1998, pôs o terreno à disposição da Santa Casa da Misericórdia de Paris num dos cemitérios da municipalidade, no qual esta construiu um jazigo com capacidade para receber douze caixões.

Em 1999 foi realizado o primeiro funeral. E entretanto os douze lugares foram preenchidos, tendo sido depois feito o pedido, que foi acedido, de mais quatro lugares num novo jazigo.

Esta actividade é dispendiosa mas tem que continuar. Não podemos abandonar os nossos defuntos. É uma obrigação não somente religiosa mas também moral.